Publicado em Comportamento e sociedade, Cultura, curiosidades, historia, Música

Vida longa ao rock and roll


rock
As origens
13 de julho, foi definido como o dia internacional do rock. A data foi criada pelo músico Phil Collins (Genesis) em 1985 como forma de homenagear o Live aid, o mega evento criado por Bob Geldoff para fins de combate a fome na Etiópia e contou com a participação de diversas bandas e músicos em evidência na época.

O rock nasceu em meados dos anos 40 e 50, não da forma como conhecemos hoje, mas a partir de influências do jazz, blues, folk e até mesmo da música clássica. De início era basicamente tocado com guitarras acústicas e sem distorção e seu ritmo era semelhante ao  jazz e o blues. Com o passar do tempo e o surgimento de novas tecnologias, também surgiram bandas com propostas inovadoras e formas de tocar diferenciadas. Assim nasceu o rock.

A evolução
Desde então o rock evoluiu e serviu de referência para outros estilos musicais, indo do pop ao metal, além de também ser referência para gêneros como o clássico e até mesmo a música eletrônica. Esta maleabilidade existente fez com que o rock se tornasse o gênero musical mais admirado e copiado por tantos músicos e bandas atuais. Além de fazer escola enquanto gênero musical, o rock também foi importante enquanto filosofia de vida e principalmente como referência para a moda.

Antes dos anos 80, o rock era visto como tabu por parte de uma sociedade conservadora e avessa às novidades e ter como música um estilo barulhento e diferente das já tradicionais músicas da época era visto como algo de gosto duvidoso, além de uma afronta aos bons costumes. Ter um filho cabeludo e barbudo, vestindo roupas coloridas e estranhas também era algo de causar arrepios a qualquer família tradicional e acostumada a ouvir jazz e ópera.

O amadurecimento
Após o Woodstock, o rock sofreu alterações não somente em seu estilo musical mas igualmente no que diz respeito ao comportamento de seus seguidores. O que outrora era conhecido como o rock clássico, oriundo do blues e demais tendências da época, sofreu alterações por conta de novas propostas surgidas com o advento do movimento hippie e o uso frequente de drogas e outros alucinógenos que trouxeram ao estilo uma nova roupagem, revisitando suas origens enquanto estilo jazzístico e clássico.

Eis que surge então o gênero progressivo, com músicas de longa duração e refinamento técnico à altura de qualquer peça clássica. Este é um período marcado não somente pela forma como são compostas as músicas mas também pela técnica refinada com a qual estes músicos tocavam. Este foi um período rico em composições e bandas, que alcançaram status de grandes bandas de rock.

Esta época foi marcada pelo surgimento de grandes nomes musicais que foram referência para bandas surgidas pós anos 70 e que deixaram marcas na história da música mundial. O rock foi o divisor de águas que conseguiu atrair um público jovem e sedento por novidades. Também trouxe um novo sentido com relação a conceitos comportamentais, pois estes mesmos jovens não se contentavam em somente ouvir, mas também trazer para suas vidas a influência do rock como forma de atitude e manifesto por seus contentamentos e por anos de repressão familiar.

Com isso os jovens da época tinham por definição a liberdade de expressão, a ideia de paz e amor assim como o desejo de lutar por um mundo novo, livre de moralismos, de uniformes e regramentos. Enquanto isso, os “caretas” (termo da época) seguiam em direção oposta, combatendo o rock com suas ideologias tradicionais e conceitos como moral e bons costumes, mantendo firmes as bases e costumes ancestrais, negando qualquer possibilidade de novos gêneros musicais, comportamentais ou qualquer outro tipo de modernismo.

Os anos 80
Nos anos 80 surgem novos estilos musicais que viriam a definir tendências e influenciaram a forma de agir e pensar dos então adolescentes em efervescência. Como de costume, estes jovens aderiram rapidamente aos novos estilos musicais em evidência, para logo assumir novas identidades e um figurino condizente com estas ideologias. E a imprensa, como de costume, criou uma terminologia para definir estes grupos; chamando-os de “tribos”. Então surgiram diversas tribos no Brasil. Haviam rappers, new waves, punks, darks, góticos, metaleiros, clubbers, yuppies, nerds, surfistas, skatistas e tantos outros grupos que se diferenciavam não somente pelo estilo musical mas também pelo visual e por suas preferências pessoais. Importante salientar que geralmente estes grupos se evitavam, pois o confronto era tido como algo certo devido à concorrência na época sobre quem era melhor. Coisas da adolescência.

O New wave tomou as ruas, competindo com outras formas de comportamento musical e figurinos como o punk, o dark e o gótico, que inversamente exibiam uma forma de agir com base em cores escuras e músicas que expressavam suas angustias e frustrações através da cor preta.

Os metaleiros
Neste período também surgiram gêneros musicais baseados no rock, mas que recebiam nomes e influências de outros estilos. Com base nesta mescla de gêneros e culturas importadas de outros países. Nesta época também surgem os metaleiros (headbangers) com uma proposta de identidade musical e estética diferente. Até então restritos a pubs undergrounds e baseado no movimento punk e bandas como Black Sabbath, os metaleiros começaram a tomar conta das ruas juntamente com punks e outros grupos. O diferencial dos metaleiros era que a maioria fazia parte da classe média e que assim como os punks, queriam revoltar-se contra o sistema vigente e manifestavam suas frustrações através da música, das roupas e principalmente do cabelo comprido e o número de tatuagens.

Com isso, os metaleiros saíram às ruas para bater de frente com o modismo do new wave e o escracho dos punks, que até então eram numerosos na maioria dos centros urbanos. Estes metaleiros trouxeram uma nova maneira de ver e ouvir o rock, com suas músicas aceleradas, guitarras distorcidas, com afinação abaixo do padrão e suas cabeças balançantes. Assim como o rock, o metal também criou subdivisões e hoje é reconhecido como um estilo à parte.

Anos 90
Já nos anos 90, estes movimentos começaram a perder força, dando espaço a outros sub gêneros. Com o surgimento movimento do grunge nos EUA, e seu estilo musical minimalista e linguagem direta, os grunges começaram a desfilar seu figurino característico. De porte de suas camisas de lenhador, calças rasgadas e suspensórios estes adolescentes elegeram para si novos ídolos, como o vocalista da banda Nirvana, Kurt Cobain. Que viera a suicidar-se nesta época.


O rock nosso de cada dia
O rock nasceu e cresceu sob a imagem de um estilo musical marginal, referenciado pela rebeldia de seus fãs e a dedicação de músicos competentes que ao som de guitarras distorcidas e solos dignos de uma peça de Beethoven, comprovaram que este é um estilo muito além de simples cacofonia instrumental e gritos guturais. O rock consegue traduzir com excelência sentimentos igualmente compartilhados por fãs do estilo musical mais difundido no planeta. Ainda que existam pessoas que torçam o nariz para o estilo, é inegável a bagagem cultural que o rock trouxe para a música e hoje vemos influências do rock até mesmo em ritmos populares como o pagode, axé music e sertanejo. Mais uma prova irrefutável de que veio para ficar e prova disso é sua capacidade de evoluir enquanto gênero musical, sem perder sua essência.

O rock é assim. Um gênero musical que veio para fincar bases em um ser sedento por ondas sonoras que reverberam em sua mente, trazendo-lhe sensações, lembranças e pensamentos diversos. E desde tempos remotos o homem traz em si a necessidade de expressar-se por meio da música e fazer dela parte de um ritual sagrado, onde o deus é a música, os anjos seus instrumentistas e a música sua principal oração.

Vida longa ao rock and roll!!

Marco Ribeiro

Anúncios